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Maconha, além do tabu!

Postado por semdrogas em 24-06-2011 com 2 comentários

RONALDO RAMOS LARANJEIRA e ANA CECILIA PETTA ROSELLI MARQUES

Folha de São Paulo
Já existem drogas lícitas que favorecem o uso das demais, não é preciso disponibilizar nenhuma outra; legalizar a maconha, nem pensar!

Vive-se há pelo menos dez anos no Brasil “duas ondas” perigosas: a do aumento do consumo de todas as drogas de abuso, principalmente em jovens adultos, e um forte debate para um abrandamento ainda maior das leis em relação à maconha. Como os atores são poucos, a solução para o aumento do consumo e o aprofundamento do debate não têm sucesso, pois não atingem todas as dimensões do fenômeno.
Os dois fatores podem agravar a situação, preceder o abrandamento para consumo de outras drogas e confundir ainda mais a população.
Depois disso, só mesmo a legalização, e aí o número de usuários vai aumentar, uma porcentagem significante deles se tornará usuário pesado e, para aumentar o número deles, muito será investido.

O debate é simplório e produz um glamour sobre o uso recreacional, seguindo a mesma metodologia da indústria do álcool, cuja comunicação ambivalente mostra que a cerveja não faz mal, é natural, basta usar moderadamente; além do mais, é medicinal.
Mais parece uma campanha de marketing com personalidades, passeatas, filmes e várias inserções na mídia, visando lançar mais um produto, mas que não é um produto qualquer e que pode, sim, trazer prejuízos.
De um lado, expandem-se apenas os direitos individuais, de outro, publica-se, por meio da neurociência, a imprevisibilidade dos efeitos dessas drogas, cujo impacto vai além do indivíduo, atingindo toda a sociedade, e questiona-se o direito da maioria da população de não usar drogas.
Os argumentos para que não se abrande ainda mais a lei das drogas e muito menos se almeje a legalização são muitos. O fenômeno das drogas é complexo, assim como a solução; portanto, as etapas para entender o fenômeno, atualizar-se sobre suas implicações e preparar a sociedade para mudar seus pensamentos e comportamentos ainda estão muito longe de acontecer.
Todas as drogas psicotrópicas alteram a capacidade de decidi r; assim, os jovens, que já não possuem essa função mental plena, decidirão ainda menos preparados.
Já existem drogas lícitas que favorecem o uso das demais, não é preciso disponibilizar nenhuma outra. As complicações do uso são agudas e crônicas, com interfaces como a violência, a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada.
As doenças mentais e de comportamento, as doenças cardiovasculares, pulmonares, os cânceres, além das malformações congênitas, são frequentes.
Sem prevenção, sem tratamento adequado e disponível, diante da diversidade cultural do país, a política deveria ser desenhada para cada droga, para cada região.
Uma política para a maconha, que no Brasil já tem no mercado, há muito tempo, cigarros mesclados com cocaína, para produzir maior impacto no “freguês”, deveria ser baseada em evidências e ter a mesma importância que as demais.
É preciso lembrar que a economia das drogas é uma das três maiores economias do planeta. Enfim, debater é preciso, de forma equilibrada e permanente, com todos os atores disponíveis: políticos, pesquisadores, o usuário e seus familiares, além de outros representantes da sociedade civil.
Fundamentalmente, com foco em um modelo de proteção para crianças e adolescentes brasileiros, pelo direito à prevenção de drogas; se o problema já estiver instalado, pelo direito a um bom tratamento.
Legalizar, nem pensar!
RONALDO RAMOS LARANJEIRA é professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Instituto Nacional de Políticas sobre Álcool e Drogas (Inpad/CNPq).
ANA CECILIA PETTA ROSELLI MARQUES, doutora pela Unifesp, é pesquisadora do Inpad/CNPq.

Publicado em: Drogas, Família, Tratamentos

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Comentários

2 comentários
  1. Realmente eu e que estou decepcionada com voce achar correto usar maconha.
    Tenho um filho que usa e esconde se fosse bom ele nao esconderia e os efeitos
    colaterais o que voce me diz. . voce tambem tem uma apetite tremenda quando fuma seu baseado e se nao fumar da dor de cabeça e deixa os olhos vermelhos por quê poderia me responder? Fora outros efeitos com: taquicardia,hipotermia, etc. suas justificativas nao convence e droga pesada e voce e um doente.

  2. vinicius

    Olá leitores, é com extrema decepção que li o artigo acima, como o povo continua sendo ignorante, sou usuário de maconha desde os 16 anos,estou com 23, sou cursante de Direito, e tenho grande satisfação de afirmar que consumo “a droga” como vocês mencionam, para minha concentração e relaxamento, conseguindo me focar apenas no objeto de estudo. Enfim “ilícito”, o cigarro e o álcool deveriam ser considerados, pois esses sim são as piores drogas, e são legalizadas, o álcool tira sua lucidez, e o cigarro pode-lhe causar diversos tipos de câncer. Você já ouviu alguma vez na vida alguém morrer por consumo excessivo de maconha? Se você me relatar UM caso, apenas um, de overdose de maconha eu terei o maior prazer em colaborar com a luta contra. A maconha possui muito menos substâncias químicas que o cigarro que você fuma, se ela é tão maléfica assim, por que nos países de primeiro mundo ela é liberada? Não queremos a liberação da maconha, ensejamos apenas a descriminilização, para podermos exterminar de vez com o sustento dos traficantes, e a violência policial abusiva. Infelizmente o Brasil nunca será capaz de entender isso, pois o povo é ignorante, muitos dizem que maconha é a porta de entrada para novas drogas…Mentira, eu fumo a sete anos e nunca usei drogas mais fortes que essa, muito pelo contrário, substituí o cigarro por ela, antigamente fumava um maço e meio de cigarros por dia,( o equivalente a 30 cigarros) hoje fumo apenas um no máximo dois baseados, e sinto-me muito mais saudável, pessoas que vocês nunca imaginaram, são usuários, escondidos ou disfarçados, são consumidores. Tenho plena consciência de que este site tem fins totalmente inversos para com o meu comentário, não estou fazendo apologia, apenas gostaria de revelar minha visão sobre a mesma “droga” á qual vocês julgam, e que produz muito menos efeitos nocivos dentre as outras lícitas, p.ex. álcool e cigarro. Espero que o nosso país crie consciência e o povo seja menos ignorante e consiga um dia vencer essa barreira, a minha esperança é que o oxi venha e leve todos os verdadeiros “drogados” brasileiros, esses sim que venham a óbito, pois eles sim, fazem o mal a terceiros apenas para conseguir usar sua droga, os maconheiros não assaltam bancos, joalherias e afins para devido fim de consumo, muito pelo contrário, todos gostam de ficar relaxados em lugares de plena serenidade, longe de confusões. Muito obrigado pelo espaço e pelo minutinho de atenção. Não quero mudar sua idéia, apenas reveja os conceitos!

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