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Quando procurar ajuda?

Postado por semdrogas em 15-04-2011 com 2 comentários

Dra Luciana Laube
Psicóloga
CRP-12 / 06999
Textos extraídos com base em fontes no site da UNIAD

Se você observar que seu filho ou outra pessoa apresenta mudanças de comportamento, tais como tornar-se mais desligado, depressivo, indiferente ou desmotivado, ou, ao contrário, mais eufórico/elétrico ou com muita energia, apresentar dificuldades na escola, trabalho, núcleo familiar, mudança no grupo de amigos e se afastou da família.

 

Se ele apresenta, ainda, atitudes dissimuladas, resistência à convivência e ao diálogo, respostas evasivas, ou mesmo ausência de respostas quando abordado, possivelmente alguma substância está interferindo no dia-a-dia deste. Ficar muito tempo fora de casa, faltas ao trabalho não justificadas, isolamento, não apresentar os novos amigos ou gastar muito mais dinheiro do que o comum, sem revelar exatamente em quê pode também significar uma mudança relacionada ao consumo de drogas.

Pupilas dilatadas ou muito contraídas, voz alterada, olhos avermelhados, aceleração cardíaca, coordenação motora alterada, boca seca, aumento ou diminuição do apetite, inquietação/agitação e alteração no sono podem ser conseqüências do uso de alguma droga.

É importante ressaltar que o fato da pessoa apresentar um ou mais desses sintomas não significa, necessariamente, que esteja consumindo alguma droga. Mudanças de comportamento ou alterações físicas podem ter as mais variadas causas.

Diálogo

Se depois de verificar as características descritas acima e a desconfiança persistir de que algo está errado, neste momento, a conversa franca sempre é bem-vinda. O primeiro passo, portanto, é comentar sobre a mudança que está sendo observada e sobre a hipótese do envolvimento e uso de drogas. A pessoa, naturalmente, vai negar, como todos negam. O adulto, o adolescente e até mesmo a criança sabem muito bem a diferença entre o certo e o errado. Por isso é natural que o usuário não queira que ninguém saiba o que ele está fazendo. Até porque, a maioria não pretende interromper o consumo da droga. Como vivem a fase da onipotência, eles acreditam que podem parar quando quiserem e que nada vai lhes acontecer de mal.

Existe ainda a possibilidade de realizar exames de comprovação. Há exames de urina que podem ser feitos, eles conseguem detectar todo tipo de substância entorpecente, de 04 a 10 dias após seu consumo. Há também um exame do fio de cabelo, feito em laboratórios, que apontam vestígios de drogas consumidas durante um período mais prolongado. Caso a pessoa negue o consumo, o exame de comprovação é uma boa saída. Mas, além de ter certeza do que está acontecendo, é fundamental agir.

Ajuda profissional

No quesito procura de ajuda profissional quanto mais rápida for a intervenção, maiores serão as chances de sucesso do tratamento. Durante a conversa com o usuário deve-se propor a consulta a um especialista em dependência química: psicólogo, médico ou assistente social. Se o usuário questionar a idéia, deve-se questioná-lo sobre a possibilidade do mesmo estar fugindo da situação.

Principalmente no caso de adolescentes cabe aos pais cuidarem de seus filhos. Os adolescentes podem não demonstrar desejo em mudar a situação nesse momento, mas é o que fará a diferença para um bom prognóstico. Os adolescentes ‘crescem’ a voz, mas os pais devem ‘crescer’ nos cuidados e resgatar a autoridade – que não deve ser agressiva. A indicação é sempre procurar ajuda, mesmo que seja meramente para obter uma orientação. Da mesma forma os pais têm o hábito de dizer que são as amizades que levaram seu filho a fazer escolhas erradas. Precisamos ser realistas neste ponto, nós escolhemos as amizades com as quais nos identificamos, ou que temos algo em comum. Isso só demonstra o quanto estas amizades são importantes e nos dizem muito a respeito dos nossos filhos, desde criança.

Toda interferência, deste modo, deve ser cuidadosa e equilibrada. Mesmo porque há uma diferença significativa entre o uso eventual/recreativo da droga e a dependência química. A conduta e o prognóstico em ambos os casos são totalmente diferentes. No caso da confirmação da dependência química estar instalada, o afastamento dos colegas usuários de drogas é essencial para que o tratamento possa seguir adiante.
É fundamental que os pais monitorem a rotina do adolescente, não como um investigador, mas como alguém que participa de sua vida, que se interessa pelas suas amizades, dificuldades e programas.

Tratamento

Nas situações que exista a necessidade de tratamento para dependência química deve ser levado em consideração que esta pode ser causada por vários fatores e, desta forma, não há apenas um tipo de tratamento. As diferentes drogas também têm efeitos diversos e devem ser tratadas de formas diferentes para alcançar um resultado eficaz. É necessário, portanto, uma boa avaliação clínica e psicológica para a definição de um plano de tratamento que poderá incluir uso de medicação, psicoterapia, grupos de apoio como Narcóticos ou Alcoólicos Anônimos, internações para desintoxicação, tratamento e contenção de danos e orientação familiar.

O fundamental para a segurança dos pais é que eles podem e devem interferir nessa questão. A internação, desta feita, pode se fazer necessária, quando houver indicação e até mesmo a  internação involuntária é válida quando o paciente perdeu totalmente o controle de seu uso da droga, corre risco de morte ou quando suas atitudes e comportamentos colocam sua vida e de outras pessoas em perigo. Mas, seja qual for o procedimento, ele deve ser feito sempre com orientação especializada e após avaliação criteriosa. Finalizando é necessário que durante a internação a família também receba orientações e auxílio psicoterápico.

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Comentários

2 comentários
  1. Ezi Chang

    O BLOG É MAIS QUE ÓTIMO, COMO CORDENADORA DE UM GRUPO DO AMOR-EXIGENTE ME ORIENTO SEMPRE NAS MENSAGENS. OBRIGADA PELA AJUDA….ABRAÇOS.

  2. Elisangela

    Adorei o blog de vocês, estou encontrando bastante informações úteis. Continuem com o bom trabalho.

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